domingo, 6 de outubro de 2013

"É LÁ QUE EU HEI DE OUVIR CANTAR O MEU SABIÁ..."


Tem pessoas que vivem amarguradas e infelizes e a gente fica matutando sobre a causa de tamanha infelicidade. Sim, porque é preciso ser muito insensível, infeliz e amargurado para reclamar do canto do sabiá.


Fiquei pasma com a reportagem que vi na TV, em que algumas pessoas reclamavam de acordarem com o canto do sabiá. Tive de segurar o queixo. A mesma reportagem explicou que o sabiá canta cedinho para não ser percebido pelo tucano (tucano?...hum...), que é seu predador (só podia...). O motivo é que o sabiá começa desde cedo a ensinar os filhotinhos a cantar.


Não é uma história linda? Eu fico a imaginar a nobre mãezinha sabiá tendo de acordar cedinho para preservar o canto da espécie, enquanto alguns dorminhocos infelizes reclamam do seu canto.



E, volto a dizer, a gente fica matutando sobre a razão de tanta infelicidade...

sábado, 21 de setembro de 2013

VIDA NA ROÇA


1. Eu ia descendo a rua de manhã quando escutei um coleiro cantar. Levantei a cabeça e lá estava ele, em cima de um poste. O danadinho pulava de um lado pro outro, sempre cantando. Quando parou, quis aplaudi-lo de pé...bem... de pé eu já estava. E quanto ao aplauso, ele nem esperou, saiu voando pra longe.


2. Estava tomando sol no jardim quando o gato Jorginho passou correndo com um passarinho na boca. O pobrezinho piava. Chamei Daniela "Vem me ajudar!" E corríamos atrás do Jorginho, gritando: "Larga, Jorginho". Até que Dani teve a ideia de assustá-lo com uma cadeira. Jorginho largou o pássaro, que se escondeu numa moita. Peguei o bichinho e o botei no meu peito. Estava assustadíssimo. Deixei-o ali descansando, até que ele começou a se mexer e o pus num galho de árvore. Ficou lá se recompondo e depois voou.


É o terceiro passarinho que salvo e sinto muito orgulho.

domingo, 8 de setembro de 2013

SETE DE SETEMBRO

Quando as pessoas não têm argumentos, em desespero usam a calúnia e a difamação. Partem para a agressão e o vandalismo quando não têm outra coisa a expressar além de ódio, preconceito e xenofobia.
Começam a dizer agora que o PT, Lula e Dilma estão sorrateiramente introduzindo o comunismo no país. (péra aí que com essa só rindo mesmo e bem alto: KKKKKKKKKKKKK). 


Foi com esse argumento sem sentido que deram um golpe militar neste país, arrancado do poder um presidente eleito democraticamente e implantando uma ditadura militar que torturou e matou.  E nós vivemos 21 anos amordaçados.


Mas tem muita gente saudosa desse período. São os que tiveram seus ganhos pessoais e seus interesses atendidos. Para esses, o povo não importa. Eles odeiam o povo, embora digam o contrário. São pessoas que não sabem o que é fazer uma oposição democrática, limpa. São os que acham que o país é só deles e por isso não aceitam que o pobre tenha acesso à universidade, que tenha casa própria, uma TV de 42 polegadas, um carrinho, que viaje de avião e coma muito bem, obrigado.  


Não caia nessa, meu povo. Eles querem dar um golpe em você. Olho vivo!
Não divulgue posts que avacalhe o Congresso Nacional, porque há gente muito séria lá, lutando por um país melhor. Há corruptos também, sim, mas esses, com seu voto consciente, serão afastados. Desconfie de tudo o que você ouve e vê. VOTE, pois é com o seu voto que poderemos avançar ainda mais e construir um BRASIL PARA TODOS.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

CINEMA

 CÉSAR DEVE MORRER
 "Depois que conheci a arte, esta cela se tornou uma prisão". Com essas palavras termina o maravilhoso filme semi-documental dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, CÉSAR DEVE MORRER (Cesare deve morire, 2012). Na prisão de segurança máxima de Rebibbia, em Roma, assassinos, traficantes e ladrões encenam "Júlio César", de Shakespeare, com adaptação livre e em seus dialetos de origem. Emociona o discurso de Marco Antônio no funeral de Júlio César: "O mal que o homem faz sobrevive à sua morte; o bem é sempre enterrado com seus ossos". A obra de Shakespeare já foi encenada inúmeras vezes e a gente pensa que não há mais novidade. Daí surgem os irmãos Taviani para provar o contrário, apresentando a obra com novas cores e fazendo surgir novas emoções. Uma obra de arte que ganhou o Urso de Ouro do Festival de Berlim 2012.

 FILANTROPICA
Acabo de assistir a outro filme romeno FILANTROPICA, 2002, do diretor Nae Caranfil, considerado por alguns como a melhor obra cinematográfica da Romênia, embora não tão premiado como outros filmes do país. É a história do professor de literatura Ovidiu Gorea (Mircea Diaconu), que não se realiza nem na profissão e nem como escritor - o único livro que escreveu só vendeu 3 exemplares. Gorea já está na metade dos seus 40 anos e não consegue se bancar sozinho - vive com os pais. Sua frustração aumenta quando conhece uma belíssima mulher, Diana (Viorica Voda), e percebe que não tem nem dinheiro para levá-la a um restaurante. É aí que conhece o estelionatário, Pavel Puiut (Florin Zamfirescu), que lhe ensina a ganhar dinheiro fácil dando golpes em restaurantes, ao lado de uma falsa esposa, Miruna (Mara Nicolescu).
A ironia é que ao se fazer de vítima em suas tramóias, Gorea é na realidade uma vítima de verdade do próprio sistema injusto do seu país, que paga um salário miserável ao professor.

CINEMA

DITADURA CEAUSESCU
Finalmente, consegui ver o ótimo filme romeno 4 MESES, 3 SEMANAS E DOIS DIAS (4 luni, 3 saptamâni si 2 zile, 2007), do diretor Cristian Mungiu, vencedor de vários prêmios internacionais, entre eles a Palma de Ouro de Cannes, em 2007.
Na Romênia de 1987, o regime brutal e repressivo de Ceausescu proibe o controle da natalidade e pune o aborto com a pena de morte. Gabita (Laura Vasilu) está grávida de quase cinco meses. Em desespero, envolve a amiga e colega da quarto, Otilia (Anamaria Marinca), no aborto executado por Bebe (Vlad Ivanor) que, além de cobrar um valor absurdo, ainda exige fazer sexo com as duas moças.
O filme me fez reviver a sensação sufocante que senti ao cruzar as fronteiras da República Tcheca (na época Tchecoslováquia) e depois Hungria, um ano após a queda do Muro de Berlim. O ar era pesado e a gente não entendia como as pessoas conseguiram sobreviver a um regime tão controlador. Dez anos depois, fui à Rússia e a mesma atmosfera predominava.
Foi essa mesma sensação que senti vendo o filme ainda agora. Para mim, uma obra de arte cobra um alto preço de quem a vê. O filme é assim.


SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Já disse algumas vezes que o filme bom é aquele que você leva pra casa. É o caso de "L'UOMO CHE VERRÀ (O Homem que virá), 2009, do diretor Giorgio Diritti, que me deixou pensativa o dia inteiro.
Embora os personagens sejam quase todos fictícios, a história é real. Fala do Massacre de Marzabotto ocorrido em 1944 em Marzabotto, província de Bologna, quando soldados alemães, para vingar o ataque dos partisans às suas tropas, mataram 1830 camponeses, entre eles muitas crianças, mulheres e idosos. Um dos mais graves crimes de guerra contra civis.
Martina (Greta Zuccheri Montanari) é a menina que conduz a história. Ela perdeu o irmão mais novo e, desde então, ficou muda. Mas a mãe espera outro bebê e é nesse período que se desenrola a história, até a chegada dos soldados alemães e o massacre.
O filme ganhou o prêmio máximo do cinema italiano, o David di Donatello, entre outros prêmios internacionais. Mereceu.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

VIDA NA ROÇA - PAPA FRANCISCO - OS PASSARINHOS SE ALEGRAM COM A SUA CHEGADA!!!!


Acho que a passarada está em festa. Desde ontem, eles estão numa baita euforia. Não param de cantar.
Devem estar alegres com a chegada do Papa Francisco. 


É lindo demais.


Bem-vindo, Papa Francisco!!!!

VIDA NA ROÇA - PASSARADA

Quem vive rodeada pela mata Atlântica, como eu, e acorda bem cedinho, se emociona a cada amanhecer. Ninguém celebra mais o nascer do dia que os passarinhos. Todos cantam de uma só vez e é maravilhoso escutá-los. Desde que vim morar aqui, já não ouço mais música, porque nenhum compositor, por mais Mozart que seja, jamais compôs sinfonia mais linda. 

"Tem alvorada, tem passarada ao alvorecer, sinfonia de pardais anunciando o anoitecer..."


O CLIMA DO ANO

Há tempos venho notando que a natureza absorve nossos humores, mas isso é assunto pra outro post. Lembro que, em 2016, meu pé de amora fic...