segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A FELIZIDADE

Tudo bem, fazer aniversário todo ano cansa (e o meu já está chegando), além de trazer alguns problemas chatos. E de pouco serve botar botox aqui e ali pra disfarçar. Dói o joelho, caminhar é mais difícil..., mas não dá pra ficar em casa se lamentando. Até na velhice cobram da gente "a felicidade". "Precisa sair, se divertir", aconselham. Ouço isso desde mocinha, quando já era uma chata digna de um prêmio Nobel, porque preferia ficar em casa lendo a sair à toa.

E aí, acostumados que somos a ser tocados como gado a vida inteira, a gente busca daqui e dali o tal do "divertimento" até começar a receber folhetos eletrônicos de viagens aos paraísos brasileiros. Eba, vou me divertir! São lugares bonitos, interessantes e muitos com programação destinada a entreter, digamos, er...os aposentados. E aí a gente lê com interesse o roteiro da viagem, já antecipando a baita diversão que vai ter, até chegar à programação noturna, ou seja, o show do Sidney Magal (cacildis!), pior ainda, o do Agnaldo Rayol (eca!), ou - esse é de matar - do insuportável Fábio Júnior (morri de vez!). Minha nossa! Chamam a isso divertimento?

E aí o que parecia atraente, bonito, vira pesadelo. Pra mim, claro, que sou uma velhota exigente, difícil de agradar, porque a maioria curte de montão. E eu começo a me imaginar num lugar desses. Receberia, de cara, o título de "velhota antipática" ou uma "chata de galocha". Detesto barulho e amo o silêncio. Então o que é que vou fazer nesse raio de excursão, me diga? Acabar com meus ouvidos? Ouvir piadinhas sem graça e rir pra não perder o amigo? Pior ainda, ouvir os analfapolíticos despejar um monte de idiotices ouvidas na Globo? Nananinanão! E aí tomo a saudável decisão de ficar em casa mesmo. Não chateio ninguém, ninguém me chateia e nem pago pra me aborrecer.

A felizidade até existe...

domingo, 15 de outubro de 2017

CANALHA, CANALHA, CANALHA!


O mais nojento de tudo do que temos tido de suportar é o cinismo e descaramento do vampirão falando de N.S.Aparecida. O crápula não teve colhão pra ir à festa em Aparecida, porque sabia que ia ser vaiado, como o foram os capangas que mandou representá-lo. Como se não bastasse, vampirão ainda tem a desfaçatez, a hipocrisia e a perversão de publicar um vídeo rogando a Deus pelas famílias do Brasil, enquanto presenteia os estrangeiros com as nossas riquezas e tira do trabalhador sua dignidade - o trabalho. Vampirão tem o desplante e a falsidade de falar em paz e pedir harmonia a 13 milhões de desempregados, muitos passando necessidade e fome. O bandido mafioso, que gasta nosso dinheiro comprando deputados para inocentá-lo de crimes de roubo e formação de quadrilha documentados, ainda ameaça tirar do trabalhador o repouso na velhice, aumentando o tempo para ele se aposentar.
 
Nunca sentimos tanto desprezo e nojo por um "governante". E nunca um "presidente" teve apenas 3% de apoiadores (banqueiros e ricaços em sua maioria), o que o transformou numa margem de erro na pesquisa. 
 
O que é que esse canalha golpista ainda quer do povo? O que é que esse pilantra vagabundo e traidor espera de uma gente humilhada e ofendida? O que é que esse descarado arrogante espera de Nossa Senhora, quando nem o Papa quis recebê-lo no Vaticano pelo asco que deve lhe causar tal ser minúsculo e ridículo (viva o Papa!)? Que surpresa saber que esse insolente desrespeitoso tem um coração. 
 
Tudo o que podemos fazer é rezar e esperar para que esse caradura asqueroso vá logo pros quintos dos infernos e que o Diabo nunca mais o solte de novo.
 
Pronto, desabafei!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

"É LÁ QUE EU HEI DE OUVIR CANTAR O MEU SABIÁ..."

Tem pessoas que vivem amarguradas e infelizes e a gente fica matutando sobre a causa de tamanha infelicidade. Sim, porque é preciso ser muito insensível, infeliz e amargurado para reclamar do canto do sabiá.

Fiquei pasma com a reportagem que vi na TV, em que algumas pessoas reclamavam de acordarem com o canto do sabiá. Tive de segurar o queixo. A mesma reportagem explicou que o sabiá canta cedinho pra não ser percebido pelo tucano (tucano?...hum...), que é seu predador (só podia...). O motivo é que o sabiá começa desde cedo a ensinar os filhotinhos a cantar.
Não é uma história linda? Eu fico a imaginar a nobre mãezinha sabiá tendo de acordar cedinho pra preservar o canto da espécie, enquanto alguns dorminhocos infelizes reclamam do seu canto.
E, volto a dizer, a gente fica matutando sobre a razão de tanta infelicidade...

RÉQUIEM PARA UM PAÍS QUE MORREU

NO DIA 6 DE OUTUBRO DE 2016, EU ESCREVI:

Hoje não é um dia feliz pra ninguém, pelo menos para quem tem consciência do que está acontecendo no país. Entregaram as nossas riquezas aos estrangeiros e aquele projeto de destinar parte dos royalties à saúde e à educação já não vale mais. Lamento dizer que vamos ter 20 anos de retrocesso pela frente. Eles deram um jeito de limitar os gastos com a saúde e a educação para pagar a dívida com os bancos. Você ainda não sentirá isso agora, mas não demora vai sentir. Quem reclama do SUS, não sabe o que lhe aguarda. Quem critica a educação, não sabe que nos tornaremos o país dos tolos, dos burros, dos alienados. Muitos não se darão conta do que estou dizendo, porque o governo vai usar toda sua máquina de propaganda pra dizer que está tudo normal, que é assim mesmo e sua dor será mais suportável. A velha regra do pão e circo.
Desculpem, amigos, mas perdi toda a esperança no país e eu lamento muito pelas novas gerações. Odeio ser pessimista, mas só vejo nuvens escuras no horizonte. Para os pobres, claro, para a nova classe média. O Brasil acaba de dar um largo passo para trás.
Tristes trópicos.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

VIDA NA ROÇA - SURPRESAS, TRISTEZAS E ALEGRIA

Tive uma quarta-feira 13 maravilhosa, com surpresas agradáveis. Nesse dia, rezei agradecida e fui dormir feliz. Nada me preparava para a triste surpresa que eu teria no dia seguinte. Fredinho II não apareceu para comer a ração da manhã e aí fui procurá-lo no quintal. Estava morto. Fredinho II foi adotado pela Daniela Peternel, mas acabou vindo morar comigo. Não vou dizer que era bonzinho porque morreu, não. Era implicante com os outros gatos e me fazia encher as vasilhas de água toda hora, porque gostava de brincar com a água. Um chato. Mas como sofri com a morte dele. Fiquei muito mal. Liguei pra Daniela pra dar a notícia e reclamei: "Da próxima vez que vir um bichinho abandonado, vire a cara pro outro lado. Eles morrem e a gente fica mal. Você está certa, mãe," ela me respondeu.

Na sexta, tive visita e consegui me desligar um pouco, mas no sábado, quando foram embora, a tristeza voltou, dessa vez acompanhada de um mal-estar físico. E eu tinha trabalho pra fazer. Trabalhei em péssimas condições. A certa altura, interrompi o que estava fazendo para procurar um cirurgião plástico para uma pessoa. Fiz um pequena intervenção com ele, certa vez, e adorei o médico. Era gentil, atencioso e competente, como não se vê mais. E aí descubro que o doutor Wagner Esteves morreu em março, de um ataque cardíaco. Era magro, aparentava felicidade, praticava atividades físicas, devia estar entre os seus 60 e 70 anos, portanto, "jovem". Isso só fez agravar meu estado de ânimo, porque gostava do doutor Esteves como pessoa também. Fui dormir triste nesse dia.


E aí, no domingo, ainda não recuperada do mal-estar físico, acordo decidida a levantar o moral. Depois do café, fui ler meu kindle na varanda. Assim que sentei, meus dois cachorros começaram a latir sem parar. Curiosa, fui olhar e vi que latiam para um cachorrinho muito miúdo, que estava no portão do vizinho. Esperei pra ver se aparecia alguém, até me dar conta de que ele havia sido abandonado ali por algum passante. Estava sujíssimo, desorientado, mas dava pra ver que era cachorrinho de raça. Atravessei a rua e ele veio na minha direção, levantando as patinhas. Ah, aquilo derreteu meu coração! Peguei-o no colo, dei-lhe um banho quentinho, tirei toda aquela cloaca que estava grudada nele, levei-o ao sol, bem abrigado numa toalha grossa e seca. Ele ficou tão agradecido que lambeu meu nariz. Dei-lhe depois comida. Agora de manhã, ao me ver, ficou tão feliz que deu pulos de alegria. Não sai de perto de mim e me acompanha pra todo lado. Depois publico foto do fofinho.
Quem disse que não há fortes emoções na serra?

domingo, 10 de setembro de 2017

ESTAMOS COMENDO MERDA?

Temos uma visão muito higienista e ingênua da política. Foi essa visão, esse purismo, que acarretou o impeachment da Dilma. Também Lula, em algum momento do passado, deve ter tido essa mesma visão, até que se deu conta de que para nadar no meio de tubarões é preciso saber negociar com eles. O perigo de tal atitude é que você come farelo junto com os porcos. Ou seja, você é percebido como um deles. Lula foi cobrado por ter recebido Renan no palanque nessa viagem ao nordeste e ele respondeu que, enquanto governou, Renan trabalhou para aprovar muitos projetos de interesse do país e que era grato a ele por isso. Lula teve de transigir para obter algum ganho e é assim que funciona. Também falou bem do Sarney, que o ajudou muito. Então, se o cara entra na política, tem que se preparar para lidar com todo tipo de gente. Há muita gente boa no Congresso, muitos parlamentares corretos e decentes, mas o povo acredita neles? Não, né? Estão todos enlameados. Lula falou em uma entrevista que, enquanto governou, vivia fazendo churrascos e festas para todos os parlamentares. Infelizmente, é assim que se governa, porque nenhum partido é grande o suficiente pra ter maioria parlamentar e, se não fizer alianças, se não comer farelo, termina como a Dilma. Todo mundo sabe que ela foi tirada do poder não pelos erros que cometeu, mas por não ter cedido às chantagens, por não ter comido com os porcos. E todo mundo sabe também que não há uma prova sequer contra Lula e que o motivo é um só: desmoralizá-lo a ponto de tornar sua candidatura inviável em 2018. Lula vem sendo investigado há 40 anos e nunca se descobriu nada contra ele. Se houvesse uma prova contra Lula imagina o escarcéu que a Globo faria. Agora há também os traidores, os bandidões, os ratos, como o drácula, o Aecim, o Geddel, Moreira Franco... Essa turma é da pesada. Eles estão envolvidos com o narcotráfico e são assassinos. Nunca vou me esquecer do sorriso cínico do Beira-Mar quando foi depor na CPI. Ele estava lá reconhecendo os chefões. Pois bem, até com essa turma, se você quiser ser um dia presidente da República, terá de negociar. E sem essa de colher de merda. Nossa colher nem merda tem. Tá todo mundo fodido.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

DE RATOS E HOMENS

Cada dia que passa, mais cresce a minha admiração pela Dilma Rousseff. Eu a imagino aos 19 anos, presa nos porões da ditadura militar, sofrendo violência e tortura para denunciar seus companheiros de militância. Aquelas frágeis vidas dependiam da coragem e bravura de uma jovem. E, como disse Dilma algumas vezes quando entrevistada, a tortura dói, "dói muito" - várias vezes repisou estas duas palavras, que provocaram admiração na grande jornalista americana Christiane Amanpour, quando a entrevistou. 

Anos depois, ao assumir a presidência do Brasil, brigou com todo mundo para fazer o que achava justo, honesto e necessário. Dilma se imolou corajosamente para manter-se fiel aos seus princípios de honestidade e zelo pela coisa pública. Não transigiu no que lhe era caro, foi brava e forte. Eita mulher cabra da peste! Eu me orgulho de ter tido uma presidenta com essa verve.


Infelizmente, o mesmo não posso dizer de Antonio Palocci, e com isso não estou defendendo quem quer esteja envolvido em malfeitos. Tive a paciência de ouvir toda a delação dele, de quem sempre ouvi falar bem e de ser apontado como pessoa de alta capacidade intelectual. Mas uma coisa me chamou a atenção: foi quando li que ele não estava aguentando a prisão e pensava negociar uma delação. Dizia-se que estava sofrendo com a tortura impingida a todos os potenciais delatores de Lula. Vivia sob pressão para delatar o amigo. Veja bem, eu disse amigo. E aí me surpreendo com uma delação sem provas. Não estou aqui dizendo que Palocci mentiu. Acredito que tenha dito muitas verdades, menos as que se referiam a Lula e Dilma. E por quê? Porque, por mais que quisesse aparentar normalidade, notava-se um certo constrangimento, a impressão de que aquilo que dizia fora ensaiado. O que me chocou na inquirição de Palocci foram dois fatos que reputo importantes: o primeiro é a frieza, beirando o cinismo em algumas ocasiões. Palocci denuncia o agora ex-amigo, sem apresentar uma única prova. Ele diz, por exemplo, que não estava presente quando tal fato ocorreu, mas que Lula lhe contou. Difícil provar isso, porque é a palavra de um contra o outro. Ele confessa ilícitos dos quais, se Lula não tomou conhecimento na ocasião, deve estar agora profundamente decepcionado. O outro fato é que quando arguido pelos advogados de Lula e de Roberto Teixeira, ele não encarou nenhum dos dois. Manteve-se de costas o tempo todo. Sou muito ligada na linguagem do corpo e isso não me caiu bem. Na verdade, Palocci, a quem antes admirava, revelou-se para mim o que talvez ele tenha sempre sido: um dissimulado, um sujeito covarde que não hesita em atirar na fogueira o próprio amigo. E volto a dizer: sem provas.


Para Lula, o prejuízo moral e político vai além do judicial. Não existem provas contra ele.
Mas o tempo é amigo da verdade e ela há de aparecer um dia. Eu continuo acreditando na inocência de Lula e por isso deixo aqui registrado meu profundo desapontamento com a atitude de Palocci. E fica a pergunta: pode-se culpá-lo por ser fraco e covarde, por não ser da mesma estirpe de Dilma Rousseff?

O CLIMA DO ANO

Há tempos venho notando que a natureza absorve nossos humores, mas isso é assunto pra outro post. Lembro que, em 2016, meu pé de amora fic...