segunda-feira, 30 de maio de 2016

VIDA NA ROÇA - PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES

Com tantos acontecimentos tristes, não pude falar com vocês das flores. O mês de Nossa Senhora e das mães é também o mês das flores, a começar pela Flor de Maio. Tenho um vaso delas e está todo carregado de flores de duas tonalidades - rosa-choque e rosa alaranjado. E os kalanchoes estão cheio de botõezinhos. Logo, logo irão florir. A bouganvílea começou o mês abrindo em flor, a camélia já se prepara pra florir no mês que vem, junto com a magnólia e as glicínias. Até as bromélias se pintaram de rosa. Logo, verei ainda mais flores. Olho ao meu redor e vejo tanta beleza, tantas cores que agradeço a Deus, primeiro, a graça de estar viva, de ter olhos pra poder contemplar a natureza, ouvidos pra ouvir os passarinhos festejá-la, coração para apreciar e reverenciar e mãos para juntar numa prece de agradecimento.

EU ME LEMBRO...

...que em 2010 não conhecia Dilma Rousseff. Votei nela por causa do Lula, mas me impressionei com seu gesto de grandeza ao convidar os ex-presidentes vivos para sua posse e com eles, se não me engano, chegou a viajar para algum importante evento internacional.

Estava lá José Sarney, em cujo governo a inflação atingiu o recorde imbatível de 84% ao mês. Isso mesmo. A gente corria pra comprar as coisas, antes que aumentassem. As maquininhas reajustadoras de preço funcionavam freneticamente. Sarney fez um governo de merda, mas ninguém o impichou.


Estava também Fernando Collor de Mello que, durante a campanha presidencial, dizia que Lula faria um boicote à poupança. Quem fez foi ele, assim que se elegeu, com a ajuda maciça da Globo, que depois o impichou quando ele deixou de ser-lhe útil. Muita gente tinha dinheiro na poupança pra comprar uma casa ou um apartamento e esse dinheiro virou pó. Muitos se mataram, sofreram infartos, um horror.


E ainda o FHC, em quem, no início, depositei esperanças, embora meu candidato fosse o Lula, mas depois frustrou a expectativa de todo mundo. No seu segundo mandato, comprado, promoveu uma das maiores recessões de que se tem notícia. Vendeu estatais rentáveis, cobrou CPMF, tirou dinheiro do povo pra dar aos banqueiros e ainda pediu emprestado ao FMI. A Globo não o impichou, porque ele, espertamente, lhe dava empréstimos subsidiados do BNDES.


Dilma estendeu a mão a esses fdp num gesto de conciliação e boa vontade.
Todos a traíram.


Na república do cunhistão, a mulher é estuprada física e moralmente toda santa hora. E o pior é que muitos - entre os quais, muitas mulheres - apoiam essa república.


Confesso que não aguento mais ver o mesmo filme repetido ad eternum. Socorro, tirem-me daqui!

sábado, 28 de maio de 2016

DE VOLTA À CIVILIZAÇÃO

Sem luz e sem internet o que se faz? Aproveitei pra arrumar minha área de trabalho, que estava uma bagunça. O resultado me fez ficar com menos bronca da Ampla. Depois do almoço, fui lá fora relaxar. Assim que abri a porta, uma borboleta preta e branca voou. O dia estava nublado e triste, sem o canto dos passarinhos. Só um bem-te-vi se pendurava no galho da verbena. Mais abaixo, um beija-flor também descansava. O bem-te-vi voou até o açaí e pegou um fruto, comeu e depois voou pra um galho mais alto e ficou arrumando as peninhas, me lembrando que também eu precisava continuar minha arrumação. Eram 2h40 quando terminei, fui alimentar os gatinhos e o Brownie. Depois, tomei um cafe e fui olhar o sol se pôr atrás da montanha. O céu estava carregado de nuvens de carneirinho, com uma nesga de azul e lá pras bandas do sudoeste uma cerração vem se aproximando. Os pássaros continuam mudos, algumas borboletas surgiram um tanto desanimadas, e pouco a pouco o sol foi se cobrindo de mais nuvens. Esfriou. Era hora de entrar. Quando abri a porta, a surpresa. A luz voltou mais cedo. Agora, um banho quentinho e internet. Sobrevivi.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

RODA VIVA

Não costumo ver o programa da TV Cultura, porque desde o Augusto Nunes, apresentador, até os inquisidores (não são entrevistadores), todos têm um pensamento único: constranger o convidado, a menos que o dito cujo pense igualzinho a eles - aí vira um bate-papo. Mas foi um tal zum-zum-zum na rede que decidi conferir a inquisição do ministro Marco Aurélio de Mello. Devo avisar desde logo que não nutria nenhuma simpatia pelo ministro, mas passei a gostar dele, desde então. O destaque da noite foi José Nêumane Pinto e seu momento vergonha alheia. Ninguém é obrigado a conhecer leis e processos judiciais, mas espera-se que um jornalista conheça pelo menos um pouco da lei Maior e Nêumane confessou não entender xongas. Ora, bolas, estava fazendo o quê ali? Nenhum dos inquisidores tinha a menor ideia do que é uma Constituição e muito menos pareciam saber que o STF é a última fronteira do cidadão comum, quando se sente injustiçado pelas decisões das instâncias inferiores. Na verdade, estavam todos ali pra malhar Lula e Dilma e contavam com o ministro pra ajudar na malhação. Deram com os burros n'água. Mello revelou-se uma pessoa extremamente calma, segura e elegante. Não se sentiu confrontado em nenhum instante e deixou Nêumane e os outros com cara de tacho. O ministro foi desmontando todas as falácias dos inquisidores, com argumentos calcados em quem tem mais de 30 anos de profissão. Quando lhe perguntaram sobre a manobra de Lula pra ter foro privilegiado, ele argumentou que podia ser, mas seria uma bobagem porque dona Marisa e o filho não teriam igual tratamento, a exemplo do que aconteceu com a mulher e a filha do Cunha. Instado a dar seu parecer sobre as delações premiadas, Mello disse que em seu tempo como magistrado nunca vira tantas e que algo estaria muito errado, que lhe parecia que prender uma pessoa, algumas durante um ano, para obter confissões ou delações era um atentado ao princípio da inocência e ao estado de direito. E o programa terminou com os inquisidores cabisbaixos e terrivelmente frustrados. O ministro Marco Aurélio Mello deu-lhes uma aula de democracia, algo do qual nunca ouviram falar.

terça-feira, 5 de abril de 2016

E O OUTONO CHEGOU!!!

Veio precedido de muita fanfarra, cheio de som e fúria, mas pleno de significado. Chegou no domingo com muito sol e não na data designada. Sim, porque a natureza não está nem aí pra datas e calendários. Ela segue mais ou menos um roteiro, uma sequência, e gosta de desafiar as datas fixadas pelos homens de ciência. Na semana antes, o outono vinha anunciando sua entrada triunfal. Todo dia, às 3 da tarde, o céu se envolvia num manto escuro e as trovoadas começavam, assustando cachorros, gatos e passarinhos. Algumas delas vinham combinadas de raios e trovões tão altos que chegavam a sacudir portas e janelas. Bunny, minha cadelinha recém-adotada, na sua inocência de filhote, latia reclamando do barulho. E a temperatura aos poucos foi caindo até ficar como agora: fresquinha. O sol já não queima, mas pousa suavemente no corpo, deixando um calorzinho gostoso que faz a gente pensar em chazinhos, bolinhos e sopinhas. E dá gosto abrir os olhos de manhã e olhar lá no horizonte, lá onde se deita a Mulher de Pedra e dizer em alto e bom som: bom dia!
Seja bem-vindo, outono!

sábado, 2 de abril de 2016

IMPEACHMENT JÁ?


Ontem, depois de assistir à cobertura desanimada da Globo sobre as manifestações, assisti à TV Senado. Estava lá um senador do PDT defendendo o impeachment da presidenta. Fiquei pasma. O senador estava sendo sincero na sua defesa e estaria absolutamente correto se o nosso sistema fosse parlamentarista. Mas não é, como sabem. O outro senador que o sucedeu tentou ser mais convincente, oferecendo dados e falando de dispositivos legais. Na verdade, amigos, a menos que você seja um especialista na matéria, dificilmente vai entender tudo isso aí. Nem os juristas se entendem e cada um defende um lado. Ou seja, é muito difícil uma análise isenta. 

O que pude entender é que há tipo uma linha financeira entre o governo e as instituições financeiras do governo e essa linha pode ficar a débito ou a crédito do governo, temporariamente. Quem defende o impeachment diz que quando há débito do governo, há também despesa financeira. Os que são contra o impeachment afirmam que tal não acontece. A verdade, porém, é que todos os governos anteriores a Dilma Rousseff adotaram o mesmo procedimento. O próprio governador Alckmin o adota. Ou seja, se vai punir Dilma, todos, prefeitos e governadores, também deverão ser punidos.


Ao aceitar o pedido de impeachment, Eduardo Cunha, recepcionou fatos referentes a 2015 apenas, ou seja, as ditas "pedaladas fiscais" desse ano. Ocorre que o TCU ainda não analisou as contas do governo referentes a 2015 e me parece importante a opinião desse tribunal para que se proceda a qualquer investigação de crime de responsabilidade.
De uma coisa porém estou absolutamente segura: querem tirar a presidenta a qualquer custo e o custo pode ser muito alto, especialmente para a classe trabalhadora. Não foi porque Dilma praticou esse ou aquele ato supostamente ilegal. Não. Tudo começou com um candidato frustrado por não ter ganhado as eleições e esse ser abjeto põe suas ambições pessoais acima de qualquer um de nós. Então, criou-se um culpado e depois se partiu para a acusação, e não o contrário, como deveria ser.
Trabalhador que defende o impeachment de Dilma está atirando no próprio pé. Isso, sim, é que é tiro no pé. Porque, como disse o senador Lindbergh Farias ontem no Senado, o projeto de governo de Temer, o tal "Uma Ponte pro Futuro" não passa de "Uma Pinguela pro Passado." Era bom que todos o lessem antes de abrir a boca pra dizer qualquer bobagem.
A pinguela é o retrocesso. Quem viver, verá.

terça-feira, 29 de março de 2016

QUALQUER UM, MENOS UMA MULHER

Desde que foi eleita da primeira vez, Dilma enfrenta a misoginia sob vários disfarces. Lembro que recebi na época um e-mail carregado de ódio de uma pessoa que se referia a Dilma como "presidANTA". E foram muitas as pessoas que tentaram desqualiflcar a presidenta, dizendo que esse termo não existia, mas ninguém sabia explicar por que então se usa "parenta", quando eu perguntava. E por aí foi, apesar de Dilma ser uma mulher preparada, uma pessoa fina e elegante.

Mesmo quem gosta de Dilma reconhece sua fraqueza na oratória e o que parece ser agora uma inabilidade política. Tudo indica que Dilma não sabe costurar alianças, administrar conflitos de interesses. Não tem, enfim, jogo de cintura, o que, em última análise quer dizer "fingir que não está vendo". Dilma não transige com os mal feitos e, infelizmente, isso rola solto no Brasil. Difícil é encontrar alguém tão honesto quanto ela.


Ironicamente, apesar de combater a corrupção, os corruptos ganharam força e Dilma está na iminência de ser deposta. É muito triste ver tudo isso acontecer. É muito triste ver mulheres, que deveriam se orgulhar de se verem representadas, serem justamente as que mais atacam Dilma, não pelos erros que ela cometeu, mas pelo simples fato de ser mulher. Inventem o pretexto que quiserem, porque esse ódio, eu me lembro bem, vem desde o dia que ela foi eleita. E são essas ANTAS que preferem o judas Temer a Dilma.
É de chorar.

O CLIMA DO ANO

Há tempos venho notando que a natureza absorve nossos humores, mas isso é assunto pra outro post. Lembro que, em 2016, meu pé de amora fic...