domingo, 4 de setembro de 2016

VIDA NA ROÇA - PARA ONDE OLHO, SÓ VEJO FLORES

Aqui na roça a gente sabe que a primavera está chegando pelos seus arautos: passarinhos e flores. Desde há quase um mês desperto todas as manhãs com a sinfonia dos sabiás, e quando vou ao jardim sinto o perfume dos manacás e das glicínias. Flores e pássaros ficam tão impacientes e felizes com a chegada da primavera que a anunciam antes mesmo que ela se inicie.

É o fim dos dias frios, cinzentos e de recolhimento. O sol brilha intensamente e já não aquece com tanta suavidade. Chega quase a queimar. É a força da nova estação que se aproxima, é a volta das alegres borboletas, dos beija-flores, é o cantar intermitente dos pássaros, são novos ares, novas cores e novos perfumes. A primavera é a mais bela estação do ano e eu trago este presente pra vocês neste domingo. Bom dia!


"Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda
Vê, como é bonita a vida
Vê, há esperança ainda
Vê, as nuvens vão passando
Vê, um novo céu se abrindo
Vê, um sol iluminando

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DAS FIGURAS DE LINGUAGEM




Vimos uma presidenta honesta enfrentar com coragem a inquisição do Senado Federal. Ali, todos sabiam ou pelo menos intuíam que ela era inocente, mas a farsa já tinha ido longe demais e eles não podiam voltar atrás.


Dilma explicou exaustivamente - a ponto de ser chamada à atenção por estar repetindo a mesma coisa -, todo o processo que envolve a edição dos decretos e suas leis. Alguém entendeu? Não, né? Nenhum de nós. Nem mesmo os senadores que deveriam entender, pois são eles que formulam as leis. Causou-me espanto que não entendessem e isso se notava claramente. Ronaldo Caiado, há tantos anos no Senado, era um deles. Sem saber como se referir tecnicamente ao assunto em questão, senadores ocupavam a tribuna para culpar o “conjunto da obra” de Dilma, como o fez a senadora Ana Amélia, quando a acusação era de crime de responsabilidade por emissão de decretos e pelas ditas pedaladas.  E tudo isso sem falar no nível baixíssimo do senador Magno Malta. Constrangido, Levandowski foi obrigado a interrompê-lo. Como se elegem pessoas sem um mínimo de civilidade?


Certamente, nem os juristas que prepararam a peça acusatória contra Dilma entenderam do que se tratava. Era visível a cara de paisagem de Janaína e Miguel Reale Jr. enquanto Dilma dava explicações técnicas. Aí eu pergunto: e se fosse o Lula? Não tenho dúvida de que, se fosse ele, quase todos entenderiam. Sim, porque tem os burrinhos que não entendem nem desenhando. E por quê? Porque Lula é um comunicador nato – daí porque é tão temido e tão popular. Lula usa intuitivamente as figuras de linguagem com maestria. Dilma, ao contrário, tem uma retórica rebuscada, muito técnica e culta, pouco acessível às massas. E isso lhe valeu o impeachment. Sempre me incomodou a retórica pobre de Dilma, seus erros e vícios de comunicação. E o que me espanta é que ninguém a tenha alertado sobre isso. Ou será, como já ouvi dizer, teimosia da ex-presidenta?

Eu me lembro da minha mãe que sempre dizia, quando eu teimava com alguma coisa: “depois você vai torcer a orelha e não vai sair sangue”. Só muito mais tarde fui entender o que ela queria dizer. Infelizmente.  

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

VIDA NA ROÇA - O AMANHECER OLÍMPICO


Ontem, o dia foi muito especial. Abri a porta da sala , distraída, sem olhar o horizonte, como costumo fazer sempre. Estava preocupada com um montão de coisas que teria de fazer. Como sempre, as coisas sem importância nos tiram as belezas da vida.
Não fosse o barulhão feito por um bando de jacus - fato raro, pois foi a primeira vez que vi um monte deles - eu teria perdido um belo amanhecer. Quando fui lá fora, atiçada pelas batidas fortes das asas dos jacus e os latidos da cachorrinha Bunny, me deparei com o belíssimo amanhecer em prata, ouro e bronze.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Deus ajuda quem cedo madruga. Acordei às 5h para molhar as plantas. Não pensem que sou louca. É que molhar plantas com o Noah do lado não dá certo, e elas estavam precisando de um banhinho. Olhei para o céu e a lua, no seu quarto minguante, estava de matar. Que bom, meu Deus, poder presenciar espetáculo tão lindo! Estou resgatando os milhares de amanheceres em que saía apressada para o trabalho; os milhares de pores do sol em que estive encerrada num escritório e as milhares de noites de luar em que estava tão cansada que me esquecia de olhar o céu. E obrigada, meu Deus, por permitir que eu tenha sobrevivido para reconhecer que o que importa na vida é estar vivo.

domingo, 24 de julho de 2016

VIDA NA ROÇA - VEM PRIMAVERA

Depois do frio intenso de ontem, foi uma surpresa ver os primeiros raios do sol bem cedo hoje de manhã, lá nas montanhas ao longe. Mas logo nuvens cinzentas e ameaçadoras o cobriram - tal como acontece às vezes na vida da gente. Nada levava a crer que ele as derrotaria e reinaria supremo, como agora, esquentando meu corpo gelado. A sibipiruna, que ainda se agarrava às últimas folhas antigas, livrou-se delas de vez, e elas caíram, cobrindo todo o chão do jardim, sufocando a grama. Até a amoreira que andava desanimada, parece outra com a chegada do sol. Novas folhas estão surgindo. Olhando lá pro alto da sibipiruna, vejo que folhas bebês estão brotando. Não demora muito e elas desabrocharão. E algumas plantas, quiçá felizes com a chegada da primavera, já começam a florir.

E pensar que eu passei grande parte da minha vida me dedicando a coisas sem importância. Nada é mais lindo do que observar o ciclo da natureza. Nada é mais gratificante do que sentir na pele o sol quase de primavera.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

VIDA NA ROÇA - ULTIMATE FIGHTING

Hoje cedo, Brownie, meu cachorro que, pelo nome, vocês adivinharão que é marrom, latia sem parar, acordando a vizinhança. Fui na direção dos latidos e entendi a razão. Esmeraldo, um gato preto de rua, peludo e de lindos olhos verdes, estava meio escondido no sagu. Uma vez, eu quis pegá-lo pra mim, achando que era uma gatinha, porque miava fininho, e daí botei o nome de Esmeralda, até me dar conta que era um menino. Esmeraldo é o perigote das gatinhas do bairro e tem um monte de filhos - todos parecidos com ele. Brownie odeia o Esmeraldo e latia para expulsá-lo do quintal. Quando me aproximei, vi algo incrível. Apesar de ser esmirradinho e de miar fino, Esmeraldo atacava o Brownie com uma mistura de golpes de UFC e capoeira e o pobre cachorro estava apanhando feio. De dar dó. Me meti na briga e botei o Esmeraldo pra correr, enquanto Brownie, confiante com o reforço, o expulsava também, até que finalmente Esmeraldo se pirulitou. E assim começou meu dia: cheio de emoções.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

TUDO PRA SER FELIZ

Não curto massas, mas adoro inhoque. Nunca como, por restrição de balança (grrr). Hoje, porém, decidi abrir uma exceção, aliás, duas. Gosto do inhoque com molho bechamel, mas por restrição de balança (grrr), não devo. Gosto também do molho de tomate, mas me esqueci de fazer e daí bateu a fome e só tinha o inhoque pronto na geladeira. A criatividade é amiga da fome. Botei óleo de coco na frigideira, fritei uma cabeçona de alho, acrescentei tomate, grão de bico e azeitona. Joguei um pouco da água do cozimento do grão de bico et voilà! Escaldei os inhoques e joguei esse molho em cima. Gente do céu, ficou uma delícia! Tasquei um pouco (grrr) de queijo parmesão e um filete de azeite extra-virgem. Tomei dois cálices de vinho (uma exceção, porque só o tomo aos domingos) pra acompanhar e, depois desse banquete, vi tudo cor de rosa.
Ah, viver é bom demais! Fica a receita aí procês.

O CLIMA DO ANO

Há tempos venho notando que a natureza absorve nossos humores, mas isso é assunto pra outro post. Lembro que, em 2016, meu pé de amora fic...