sábado, 8 de março de 2014

TRISTE, MUITO TRISTE


A BÉLGICA, A EXEMPLO DOS PAÍSES BAIXOS, ACABA DE APROVAR A EUTANÁSIA PARA CRIANÇAS VÍTIMAS DE ENFERMIDADE INCURÁVEL.

JÁ SE MATAM OS VELHOS HÁ MUITO TEMPO, EMBORA NINGUÉM ADMITA TAL PRÁTICA. AGORA CHEGOU A VEZ DAS CRIANÇAS.

HÁ POUCO MAIS DE 100 ANOS, ERA MAIS OU MENOS COMUM AS PRÓPRIAS FAMÍLIAS MATAREM VELHOS E CRIANÇAS PARA NÃO TER DE SUSTENTÁ-LOS. AGORA, O ESTADO SE ENCARREGA DISSO.

ME FEZ LEMBRAR UM POST TRISTÍSSIMO, QUE CIRCULOU, DE UM MENINO SÍRIO, GRAVEMENTE FERIDO, QUE DECLAROU ANTES DE MORRER: "VOU CONTAR TUDO A DEUS." CONTE, MENINO, CONTE.

VIDA NA ROÇA



Ontem, salvei mais uma libélula. Foram muitas até agora. Volta e meia também salvo um passarinho. Resgatei 10 gatinhos abandonados. E lá fora no jardim, o hibisco, que antes era podado, mas não dava flor, agora está todo florido. Impedi que o podassem de novo. Deixei-o livre. No primeiro verão que passei aqui, as alamandas não floriram. Diagnóstico de um expert: excesso de poda. Passei a proibir também e lhes dei o alimento de que precisavam. Estavam muito raquíticas. Passeando no jardim, me encantei com a beleza das alamandas roxas e amarelas. As hortênsias foram tão podadas que custaram a crescer e florir. Agora, florescem o ano todo. Aqui na roça, eles preferem uma planta tosada a uma planta florida. Não consigo entender. Mas o que eu quero mesmo dizer é que me dou conta, a cada dia, que minha vida tem muito mais sentido.
 

VIDA NA ROÇA


Hoje, me surpreendi com o atendimento do INSS aqui da roça. Fui lá fazer uma alteração cadastral e estava até levando - além da certidão de nascimento da vovó e do vovô, porque eles pedem até o impensável - o "kit INSS" que eu usava no Rio, ou seja:
1. Lexotan e todos sabem porquê;
2. Quentinha pra demora;
3. Garrafa d'água;
4. Sapato baixinho, porque nem sempre tem lugar pra sentar;
5. Rede pra tirar uma cochilo;
6. Dramamine pros enjoos que sempre acontecem;
8. Jornal e uns dois livros de 400 páginas cada um;
7. Remédio pra garganta pra poder gritar bem forte;
8. Uma escopeta pra sair metralhando.
Pois bem, nada disso foi necessário. Fui recebida por uma atendente super atenciosa (estou me beliscando até agora) e um senhor super cordial (que que isso?) que resolveu meus problemas em uns 3 minutos.
Parece um sonho, mas é verdade. Vive la rósse!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

VIDA NA ROÇA



Uma das grandes surpresas que tive ao vir morar na serra foi encontrar um grande número de evangélicos. Nada contra a religião de ninguém, mas acho que está havendo um certo exagero. Pega-se um táxi e o motorista, em geral sempre solícito, está ouvindo uma música evangélica aos berros. Eu nem me atrevo a pedir que desligue o rádio ou o CD player. Tenho medo de levar um chute pela ofensa gravíssima e ter voltar a pé pra casa. Só peço, gentilmente, que baixe o volume, mas ele só diminui um pouquinho. Suspiro resignada e ligo o botão do dane-se.  

Aos domingos, invariavelmente, recebo a visita das Testemunhas de Jeová. Antes, eu dizia que era católica, mas eles são treinados pra enfrentar e derrotar qualquer oposição. Hoje em dia, me limito a botar a cara pra fora e gritar: “Tô ocupada vigiando o leite.” Tem dado certo, por enquanto. 

Hoje, fui à famosa loja Amigão, lá no centro. Enquanto cobiçava uns potinhos simpáticos, a música evangélica começou a berrar: “Bendito seja, em nome do senhôôôôôô...” Tentei me concentrar nos potinhos. Não deu certo. Cheguei a agarrar dois tapetinhos de porta e disparei para o caixa. Queria sair dali correndo. A moça do caixa cantarolava, acompanhando a música: “Senhor, eu te amuuuuuuuuuu, senhor eu te amuuuuuuuuu”. Paguei e saí batida da loja.

 Lá fora, meu ouvido ainda retumbava. Caraca, preciso tomar um café.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

VIDA NA ROÇA


Não choveu. Mas o tempo andou feio. À noite, as estrelas não apareceram e a lua andou escondida nas nuvens cinzentas. Foi um fim de tarde melancólico e uma noite comum, como são as noites sem lua e sem estrelas. Mas não é disso que vou falar.

Há dois anos plantei uma macieira. Comprei-a ainda bebê, porque tenho a ambição de viver ainda uns bons anos. Cuidei dela com carinho, mas teve um tempo que pensei que ia morrer, de tão raquítica que estava. Um passarinho tirou a macieira da depressão. Jogou uma sementinha de amora bem junto dela e a amoreira, folgada, danou a crescer. Andei até pensando em arrancá-la, com medo de que a macieira se acabasse de vez. Mas um dia notei que a macieira, ao contrário, começou a ficar mais viçosa e até cresceu bem. Hum... sem querer me meter na vida dos outros, comecei a desconfiar de alguma coisa. 


Um dia desses, molhando as plantas, notei que a macieira estava em flor. Que lindo! Não pensem vocês que era um monte de flor, umas três ou quatro, por aí. Mas foi o bastante pra me convencer: as duas estão de caso.

domingo, 20 de outubro de 2013

VIDA NA ROÇA - PRIMAVERA


Vivi minha vida inteira sem conhecer a primavera. Quem nasceu no Rio, como eu, só conhece duas estações: calorão e friozinho. 


Foi aqui na serra que vim a conhecer todo o esplendor da primavera, que só sabia de filmes, de ouvir falar, de ver cartão postal. Mas a primavera, pra minha surpresa, se nota mesmo nos pequenos detalhes. As formiguinhas cavam buraquinhos na terra e aparecem, os insetos ficam muito assanhados e os passarinhos namoram. É namoro levado a sério, porque logo eles iniciam a construção do ninho. A gente olha pro céu e lá estão eles na azáfama: é passarinho pra cá, é passarinho pra lá. E entre uma lida e outra, alguns param pra cantar. É lindo! Ouvi o concerto de uma sabiá ainda agora, no jardim. O dia mal começa a clarear e é aquela cantoria. O despertar é sempre feliz, sempre tranquilo, sempre em paz. 


E nem vou falar das flores. Até a mais pequeninha brota do chão. E também nem vou detalhar o céu azul bebê, as nuvens brancas de carneirinhos, porque tudo é tão lindo que não cabe nas palavras. 

É verdade, a primavera emociona. É verdade, a primavera é a estação do amor.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

DIA DO PROFESSOR


Eu me lembro da minha primeira professora: Naíde B. de Lemos. Era uma pessoa muito delicada, de olhos amorosos, cabelo castanho-médio, delgada...não era professora, era um anjo. Uma vez, cortei o dedo com a gilete ao fazer ponta no lápis. Chorei muito. Ela ficou com tanta pena que dividiu o saboroso lanche dela comigo. Graças à professora Naíde, sempre fui primeira aluna. Nunca a esqueci e é por isso que acho que algumas pessoas são eternas.

A outra professora que nunca esqueci foi do segundo ano primário: Stella Lisboa Martins. Era enérgica, forte, cabelos louros, meio gordinha. Uma vez, não fiz o trabalho de casa, porque minha mãe ainda não tinha comprado o livro. Foi a desculpa que dei. Ela me botou de castigo, lá na frente, diante de todo mundo e me repreendeu: "Você bem poderia ter copiado o exercício do livro de um amiguinho. Nunca deixe que um obstáculo lhe impeça de atingir seu objetivo."
Também nunca a esqueci, em todos esses anos.
Valeu!

O CLIMA DO ANO

Há tempos venho notando que a natureza absorve nossos humores, mas isso é assunto pra outro post. Lembro que, em 2016, meu pé de amora fic...