Eu olho a TV e vejo as pessoas chorando, porque perderam suas casas nos deslizamentos de terra provocados pela tempestade que desabou no Rio de Janeiro. Choro com elas e entendo a a dor que sentem. Antes do acidente, eu me comovia, mas não sentia, não entendia. Não conhecia a sensação de terra arrasada.
Depois que saí do trabalho, chorei quase diariamente uma tempestade de lágrimas. Estava sensível, todo o meu corpo doía, estava mais impaciente do que sempre fui e me irritava com muita facilitade. Briguei com muita gente e sobre este assunto falarei em outro post.
Tinha os nervos à flor da pele. Sentia a dor absurda de ter perdido minha vida de antes. Tinha saudade da minha liberdade de movimentos, da elasticidade do meu corpo, do meu corpo de antes, das minhas aulas de hidroginástica, da minha disposição e alegria de viver.
A vida que passei a levar era de muita dor física e emocional. Precisava tomar analgésicos e muitas vezes eles não davam conta de fazer a dor física desaparecer. Tomava mais de um. Passava o dia inteiro tomando analgésicos e me lembrava de Macabea, a personagem de “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. Também ela tinha de tomar analgésicos para esquecer a dor de viver uma vida de feiúra e tristeza. Passei a entender a dor de Macabea e que analgésico nenhum cura a dor que parece rasgar tudo por dentro da gente. Pobre Macabea, pobre de mim.
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