sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DAS FIGURAS DE LINGUAGEM




Vimos uma presidenta honesta enfrentar com coragem a inquisição do Senado Federal. Ali, todos sabiam ou pelo menos intuíam que ela era inocente, mas a farsa já tinha ido longe demais e eles não podiam voltar atrás.


Dilma explicou exaustivamente - a ponto de ser chamada à atenção por estar repetindo a mesma coisa -, todo o processo que envolve a edição dos decretos e suas leis. Alguém entendeu? Não, né? Nenhum de nós. Nem mesmo os senadores que deveriam entender, pois são eles que formulam as leis. Causou-me espanto que não entendessem e isso se notava claramente. Ronaldo Caiado, há tantos anos no Senado, era um deles. Sem saber como se referir tecnicamente ao assunto em questão, senadores ocupavam a tribuna para culpar o “conjunto da obra” de Dilma, como o fez a senadora Ana Amélia, quando a acusação era de crime de responsabilidade por emissão de decretos e pelas ditas pedaladas.  E tudo isso sem falar no nível baixíssimo do senador Magno Malta. Constrangido, Levandowski foi obrigado a interrompê-lo. Como se elegem pessoas sem um mínimo de civilidade?


Certamente, nem os juristas que prepararam a peça acusatória contra Dilma entenderam do que se tratava. Era visível a cara de paisagem de Janaína e Miguel Reale Jr. enquanto Dilma dava explicações técnicas. Aí eu pergunto: e se fosse o Lula? Não tenho dúvida de que, se fosse ele, quase todos entenderiam. Sim, porque tem os burrinhos que não entendem nem desenhando. E por quê? Porque Lula é um comunicador nato – daí porque é tão temido e tão popular. Lula usa intuitivamente as figuras de linguagem com maestria. Dilma, ao contrário, tem uma retórica rebuscada, muito técnica e culta, pouco acessível às massas. E isso lhe valeu o impeachment. Sempre me incomodou a retórica pobre de Dilma, seus erros e vícios de comunicação. E o que me espanta é que ninguém a tenha alertado sobre isso. Ou será, como já ouvi dizer, teimosia da ex-presidenta?

Eu me lembro da minha mãe que sempre dizia, quando eu teimava com alguma coisa: “depois você vai torcer a orelha e não vai sair sangue”. Só muito mais tarde fui entender o que ela queria dizer. Infelizmente.  

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